Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos

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Tributo a Zhang Chunqiao: 1917 a 2005

No dia 21 de abril passado faleceu o grande líder proletariado chinês, Zhang Chunqiao, grande colaborador e seguidor do Presidente Mao e um dos mais destacados líderes da Grande Revolução Cultural. Quando as forças revolucionárias do Partido Comunista da China tomaram o poder por meio de um golpe de Estado, após a morte de Mao, em 1976, prenderam Zhang.

“Tanto entre os proletários como entre os funcionários dos organismos oficiais há aqueles que incorrem no estilo de vida burguês.”    (Lenin)

Nunca este foi o caso de Zhang Chunqiao. Nos 88 anos de sua existência ele sempre  teve um só posicionamento e jamais vacilou na defesa da linha proletária proposta pelo Presidente Mao. Porém, Zhang não é muito conhecido entre os novos lutadores. Durante décadas, o governo que o prendeu ocultou sua situação, tanto na China como no mundo. Mesmo em sua morte os reacionários e comentaristas burgueses o caluniam, mas Zhang teve um imenso impacto no curso da revolução e da emancipação da humanidade. Há que celebrar sua vida, conhecê-la e aprender sobre ela.

Zhang ocupou as mais altas posições no Partido e no aparato estatal. Foi diretor e vice-presidente do departamento político do Exército Popular de Libertação e membro do Conselho Político do Partido Comunista da China, seguindo sempre a linha do Presidente Mao de  continuar a Revolução.

“A pequena produção engendra capitalismo e burguesia constantemente, cada dia, cada hora, de modo espontâneo e em massa.”    (Lenin)

A experiência da União Soviética mostrou claramente na pessoa do traidor Krushchov que dentro do PCUS germinou uma nova classe exploradora que seguia chamando-se socialista. O mesmo estava acontecendo na China. Dentro da estrutura político e econômica do próprio Partido Comunista da China estava se formando uma elite neo capitalista. O revisionismo e o oportunismo, ou seja, a traição, operavam sutilmente dentro do Partido e do Estado em nome do marxismo e estavam ocupando as mais altas posições de autoridades no aparelho do Estado e, pior ainda, no  Partido. Ocupavam as lacunas deixadas pelos verdadeiros revolucionários comunistas que morreram ou combatendo, ou naturalmente ou mesmo assassinados pela reação.

“...em toda a etapa histórica do socialismo, poder ou não persitir, conseqüentemente, na ditadura do proletariado é um assunto de importância primordial...”    (Acerca da ditadura onmímoda sobre a burguesia, Zhang Chunqiao)

Era necessário fazer algo com urgência, mobilizar as massas, desafiar a autoridade burguesa e reacionária dentro e fora do Partido, fazer surgir, no fogo da luta das massas,  novas lideranças e verdadeiros revolucionários para desafiar, lutando, essa  autoridade “seguidora do caminho capitalista” e levar a cabo a transformação ideológica, econômica, política e social das relações dentro da sociedade e do Partido durante a fase do socialismo.

Dentro do campo teórico, Zhang aprofundou a linha de Mao de que o simples fato de que os meios de produção estarem na mão do Estado não garantiria que a sociedade fosse socialista. Ele dizia com muita propriedade que nas relações de produção socialistas continuam a existir, em muitos casos, aspectos capitalistas e nesses casos continuam a persistir relações de classes entre indivíduos na produção. Isso é algo que não se pode superar de um golpe só. Há que ter etapas na revolução para alcançar isso.

A revolução proletária aspira eliminar “quatro aspectos” dizia Zhang lebrando Marx:            

  1. as diferenças de classe em geral;

  2. todas as relações de produção em que elas se apóiam;

  3. todas as relações sociais que correspondama essas relações de produçãoe

  4. todas as idéias que emanam dessas relações sociais.

A revolução tem que continuar até que seja abolida da face da terra a totalidade destes quatro aspectos!

Ele olhava o horizonte mais adiante, por isso ao dirigir as massas para abrir novos caminhos, “ escalar as mais altas montanhas” e conquistar sua própria libertação, ele conquistou  a confiança da nova geração  de revolucionários durante a Grande Revolução Cultural.          

Zhang foi um dos encarregados por Mao para fazer parte do grupo dirigente e orientador da sem precedente “revolução dentro da revolução”, em Pequim. Ele participou ativamente nos episódios mais difíceis e importantes desse acontecimento, inclusive  no episódio chamado “ a Tormenta de janeiro”, em Shanghai, quando os rebeldes se apoderaram dos centros de administração e comunicação. Esta foi a primeira “tomada do poder” por parte das massas na Revolução Cultural  em janeiro de 1967.

Quando nos princípios da década de 70 Deng Xiaoping e as forças revisionistas do Partido Comunista lançaram a ofensiva para tomar o poder das mãos das forças proletárias, Mao, doente,  se apoiou em Zhang e no núcleo de líderes revolucionários (entre eles, Jiang Qing, sua esposa), para armar e mobilizar as massas politicamente e levar uma luta de vida e morte para conservar e desenvolver o governo do proletariado. Zhang aceitou o desafio com um valor indomável. Ele baseou sua estratégia na confiança que tinha nas massas como as fazedoras da revolução, pois a chave para defender e continuar a luta era despertar a atividade consciente das massas seguindo o marxismo. Manteve essa orientação mesmo quando setores das massas foram ganhos ardilosamente para idéias retrógradas e quando a correlação das forças políticas e internacionais se tornaram desfavoráveis para a revolução chinesa.

Assim, quando depois da morte de Mao os revisionistas dentro do Partido Comunista da China deram o golpe de estado armado, a primeira medida tomada, como não podia deixar de ser, foi contra o núcleo revolucionário do Partido Comunista e a prisão imediata de Zhang  Chunqiao e de Jiang Qiu e dos outros membros do pejorativamente chamado “Bando dos Quatros”.

E a canalha revisionista que assaltou o poder operário não teve a dignidade de se apresentar autenticamente perante o povo. Descaradamente continuaram se dizendo comunista. O único critério da verdade é a prática. Todos conhecemos a prática dos dirigentes da China hoje.

A revolução proletária mundial que se processa hoje tem que fazer uma avaliação de sua prática, de suas debilidades, seus pontos fracos, seus grandes logros, identificar de pronto seus traidores capitulacionistas, revisionistas e oportunistas que sempre procurarão se infiltrar nas suas fileiras e seguir aprendendo com seus verdadeiros líderes como foi Zhang.

Honra e glória ao homem chamado Zhang Chunqiao!  


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